


Quando fomos procurados para desenvolver a identidade do bar, o estabelecimento já havia passado por algumas tentativas de nome. Nenhuma delas havia realmente conquistado o público.
Até que um item do cardápio mudou essa história.
O famoso caldo de mandioca com frango desfiado e requeijão, conhecido como Zé Bolacha, acabou se tornando tão popular que os próprios clientes passaram a usar o nome para se referir ao estabelecimento: “Vamos no Zé Bolacha?”
O que começou como o nome de um prato acabou se tornando o nome do próprio bar.
Quando o proprietário percebeu que o público já havia escolhido o nome, veio a decisão de assumir essa identidade: Zé Bolacha Bar.
O desafio, então, era transformar essa história espontânea em uma identidade que tivesse a mesma personalidade do lugar: popular, divertida, movimentada e cheia de vida.
Para desenvolver o conceito, decidi partir de algo que não estava apenas no briefing, mas que eu havia experimentado pessoalmente.
Visitei o bar e encontrei um ambiente completamente tomado pela energia dos clientes. Fila na porta, mesas cheias, pedidos chegando o tempo todo, caldos, espetos, porções, cervejas, drinks e uma equipe trabalhando em ritmo acelerado.
Mas foi justamente a correria dos bastidores que mais me chamou a atenção.
Garçons anotando pedidos rapidamente, cozinheiros e auxiliares tentando acompanhar o ritmo e uma operação que parecia funcionar em uma espécie de caos organizado.
Até a letra dos garçons nas comandas denunciava essa velocidade — era praticamente impossível entender algumas anotações de tão rápido que tudo acontecia.
Foi nesse cenário que encontrei a personalidade da marca.
O Zé Bolacha precisava parecer tão divertido e movimentado quanto o próprio bar.
A partir dessa experiência, criei o Zé Bolacha, personagem central da identidade.
Ele aparece como um cozinheiro sorridente, fazendo um gesto de aprovação com o polegar, transmitindo simpatia, bom humor e aquela sensação de que, apesar da correria, está tudo sob controle.
O olhar levemente desalinhado reforça justamente essa ideia de excesso de trabalho e correria, acrescentando uma dose de humor ao personagem.
Ao redor dele, construí um universo gráfico dentro de um círculo, reunindo elementos associados ao cotidiano do bar: canecas de chope, espetos, porções, temperos e outros símbolos da gastronomia de boteco.
Dessa forma, o símbolo não representa apenas o personagem.
Ele representa todo o universo do Zé Bolacha.
Eu queria que a identidade tivesse a mesma sensação de entrar no bar em uma noite movimentada.
Por isso, trabalhei com cores vibrantes, contrastes fortes e uma composição descontraída, criando uma marca alegre, espontânea e fácil de reconhecer.
O personagem ajuda a humanizar a identidade e aproxima o público, enquanto os elementos ao seu redor reforçam a variedade e a informalidade do ambiente.
A intenção nunca foi criar uma identidade sofisticada no sentido tradicional.
Era preciso criar algo que tivesse personalidade, humor e presença, assim como o próprio estabelecimento.
Um dos elementos mais importantes da identidade surgiu de uma observação muito simples: as anotações dos garçons.
Aquela escrita rápida, irregular e aparentemente despretensiosa acabou se tornando uma referência para a tipografia da marca.
Escolhi uma letra script, solta e descontraída, criando a sensação de que o nome havia sido escrito rapidamente em uma comanda durante uma noite movimentada.
Essa escolha aproxima ainda mais a identidade da experiência real do bar.
Enquanto uma tipografia convencional poderia apenas apresentar o nome, essa escrita conta um pouco da história do lugar.
Acima da composição, inseri a expressão “Desde 1999”, utilizando uma tipografia mais sóbria e limpa, inspirada na Helvetica.
Ela funciona como um contraponto à descontração do restante da identidade e, ao mesmo tempo, reforça a história e a tradição do estabelecimento.
É uma pequena informação, mas importante para mostrar que, por trás de toda aquela descontração, existe uma trajetória construída ao longo dos anos.
Ao construir essa identidade, procurei transformar em imagem aquilo que encontrei quando conheci o Zé Bolacha:
um lugar cheio de gente de todas as idades, divertido, espontâneo e em constante movimento.
• O nome veio do prato.
• O personagem veio da cozinha.
• A tipografia veio das comandas.
• Os elementos vieram do cardápio.
• E a energia veio do próprio bar.
No final, a identidade não precisou inventar uma personalidade.
Ela simplesmente transformou a personalidade que já existia no Zé Bolacha em uma linguagem visual.
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